Juntos contra o Coronavírus

Como manter o equilíbrio mental em tempos de pandemia?

Naturalmente, temos dificuldade em aceitar mudanças, mesmo sabendo que, para viver, é preciso mudar. Hoje, temos enfrentado uma metamorfose que não foi escolhida por ninguém, mas imposta em função da pandemia do Coronavírus, um vírus invisível e perigoso que nos colocou sob a condição de confinamento. Como a grande maioria nunca viveu uma guerra ou um isolamento social nessa proporção, os sofrimentos psíquico e emocional são dores com as quais ainda precisamos aprender a lidar. Nos sentimos presos em nossas casas, angustiados em relação ao futuro, ansiosos ao viver o presente. A frustração é inevitável, mas nesse momento nosso maior desafio é suportar isso tudo mantendo o equilíbrio e a nossa saúde mental.

Com o trabalho em regime home office, crianças em casa o dia inteiro e casais em situação de hiperconvivência, novas formas de relacionamento precisam ser construídas. Alguns pequenos cuidados e ações podem fazer uma grande diferença para que a harmonia se estabeleça em casa. Listamos aqui alguns deles:

- Medo sim, pânico não: é absolutamente normal sentir medo nesse momento. Não tente ignorar a realidade, mas não cultive o sentimento de medo, pois ele pode se transformar em pânico. Literalmente, controle o tempo das conversas ou acesso a notícias sobre a pandemia. Fique informado, mas não conectado apenas com isso ao longo de seu dia.

- Não ignore suas emoções: haverá momentos em que a irritação com filhos, cônjuge, pais e amigos possa se intensificar. Não espere isso acontecer, acalme-se e busque um tempo só para você. Vá para algum cômodo de sua casa em que possa estar sozinho. Respire fundo e pausadamente. Pode parecer simplório esse ato, mas vai fazer com que você saia da “frequência” e tenha mais clareza de pensamento, evitando discussões desnecessárias;

- Tenha momentos individuais: reiterando o que dissemos acima, caso sinta que está “pesado demais”, isole-se por alguns minutos. A introspecção é necessária para processar o momento que está vivendo;

- Alimente sua mente e desenvolva seu intelecto: dedique uma parte do dia a alimentar o coração e a mente com mensagens positivas, conversas amigáveis, momentos de reflexão, cultura e leitura que visem à sua construção;

- Corpo em dia: mantenha uma rotina de exercícios. Não fique muitas horas na cama ou no sofá. Se alimente adequadamente;

- Escreva: mantenha um diário, faça anotações sobre seus sentimentos, angústias, medos e as impressões que você vem percebendo nesse tempo. Quando escrevemos, elaboramos e organizamos o pensamento. Sem dúvida, é uma forma de autoconhecimento;

Seja lúdico: brincando de planejamento estratégico sozinho ou com a família, construa uma matriz baseada em “Forças, Fraquezas, Ameaças e Oportunidades” para o período de confinamento. Vale escrever, fazer gráficos, desenhos, vídeos;

Seja autoindulgente: não está conseguindo fazer cursos, aproveitar o tempo todo ou ficar bem em todos os momentos? Não se julgue. Tente identificar os motivos do seu sofrimento, pois, na maior parte das vezes, haverá uma solução logo ali na frente. Pratique a generosidade, inicialmente, com você mesmo;

Não sinta culpa: não se culpe se estiver descansando pra valer. Talvez, assim como o planeta Terra, você estivesse precisando dessas “férias forçadas”;

Compartilhe sua vida: tenha uma “saída de emergência”, ou seja, compartilhe suas dores com alguém da sua confiança, com seu terapeuta ou com os serviços de apoio que estão sendo oferecidos. Compartilhe também sua atenção, seu carinho e suas boas ideias com quem o cerca você. Assim, venceremos uma batalha, coletivamente, cooperando uns com os outros.

*Márcia Tolotti, psicanalista, coordenadora de Educação Financeira Projeto Vida que Prospera, da Unicred Integração

 

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