Emoções x Dinheiro

Artigo: Amadurecer emocional e financeiramente

Grande parte de nós conhece a dúvida mais famosa da história da humanidade, a clássica expressão de Hamlet, personagem de Shakespeare “ser ou não ser, eis a questão”. A grosso modo, podemos pensar que o conflito de Hamlet foi gerado pela angústia, a agonia diante do próprio desejo.

Quando estamos decidindo sobre algo, ficamos em dúvida e angustiados, mas por quê? Porque nem sempre temos clareza daquilo que realmente desejamos. Muitas vezes, estamos presos às demandas sociais, familiares, culturais ou emocionais. Decidir é escolher e qualquer escolha implica ganhos e perdas, ao mesmo tempo. Como somos avessos às perdas, demoramos para resolver, justamente, para não perder nada. Esforço em vão quando se trata do inevitável processo de envelhecimento. Melhor olharmos o mais rápido possível para a ação do tempo em nossas vidas. Assim, talvez não venhamos a nos arrepender por não termos sido mais felizes ou mais espertos “enquanto havia tempo”. O tempo é agora!

Aposentadoria, por exemplo, é um momento de ganhos: afastamento das obrigações do trabalho; tempo livre; sensação de missão cumprida; descanso merecido e remuneração vitalícia. Maravilha! Muitos ganhos.

Todavia, também traz perdas: afastamento do trabalho; muitas horas sem saber o que fazer; sensação de vazio e diminuição na remuneração. A mesma moeda, lados diferentes.

Afinal, o que prevalece? Os ganhos ou as perdas? Depende da forma como encaramos esse processo, quer dizer, depende da maturidade e das decisões tomadas ao longo da vida. Se exercitamos uma visão positiva, valorizaremos os ganhos, mas se nutrimos um olhar pessimista, passaremos a nos lamentar constantemente pelas perdas.

Podemos quebrar paradigmas e abrir mão da visão e vivência estigmatizada da velhice e ressignificar o lugar que queremos ocupar em nosso processo de envelhecimento. Para isso, precisamos questionar nossas decisões: elas garantem o bem-estar agora, mas evitam desgostos e angústias amanhã? E se você pensar: “amanhã – mais tarde – eu penso sobre isso”, saiba de que está desperdiçando o seu bem mais precioso. Exercício físico, dinheiro guardado, sonhos e relacionamento cultivados, quando não são realizados diariamente, dificilmente, serão realidades em um futuro: “não espere colher aquilo que você não planta”. Portanto, somos idosos em construção. Todos os dias alicerçamos mais um tijolinho na construção da velhice por meio das pequenas e constantes escolhas.

Como agir? Não negar que a velhice é uma realidade e aceitar que viver bem física, emocional e financeiramente é uma decisão cotidiana. Maturidade é justamente ter clareza do poder das escolhas e optar pelos hábitos necessários para atingir a plenitude da vida. Para defender o desejo e perpetuar uma vida próspera, existem duas questões muito importantes:

• primeiro, o autoconhecimento para saber o que de fato vai ser prazeroso e o que dará realização na aposentadoria. E não há regra, pois para um, pode ser passar o resto da vida pescando e, para outro, abrir um negócio ou outro realizar projeto;

• segundo, ter recurso financeiro para realizar desejos e ter conforto na velhice.

Reiniciar projetos, fazer nada, realizar pequenas tarefas, viajar, construir, estudar, empreender, não importa: independente do seu sonho, tenha dinheiro para realizá-lo. Quando se deve começar a investir para garantir seu futuro? Ontem. Ops, o tempo não volta, então não o perca mais. Tempo é o ativo mais preciso que todos nós possuímos, assim, comece hoje sua reserva financeira e, se está próximo do momento da aposentadoria, potencialize seus investimentos. Com certeza, o dilema entre aposentar ou não, e, as angústias com a velhice serão muito menores se você tiver saúde, amigos assim como uma boa reserva financeira. Lembre-se: a angústia é inversamente proporcional ao bolso, ou seja, bolso cheio, angústia “quase” vazia.

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