Emoções x Dinheiro

Artigo: A relação com o dinheiro

Embora o dinheiro seja universalmente aceito como um meio de troca, individualmente ele possui significados diferentes dependendo da classe social, idade, cultura e valores intrínsecos. Todavia, podemos adotar quatro grandes categorias para representá-los: liberdade, segurança, poder ou relacionamento.

Quando o dinheiro representa liberdade para alguém, a forma de se relacionar com ele será pautada no desfrute imediato, porque o mais importante é fazer o que se quer, satisfazer-se urgentemente. Planejar, seguir regras, pensar no amanhã são quase impraticáveis. Como é possível educar alguém com esse perfil? A motivação para o aprendizado deverá focar na ideia de liberdade financeira, isto é, mostrar que abrir mão de um pouco no presente (e poupar/investir) poderá garantir a liberdade de escolha, também no futuro.

Para quem tem uma relação de segurança com o dinheiro, os imprevistos causam muita angústia. Geralmente, são pessoas que evitam riscos, cumprem as normas, são metódicos. Educar financeiramente quem apresenta essas característica é mais fácil, porque planejar, poupar e esperar são práticas facilmente compreendidas e rapidamente adotadas por elas.

Já para aqueles que representa poder, esse passa a ser uma garantia de controle e realização pessoal. Geralmente, essas pessoas gostam de estar no comando, de ter status, reconhecimento, sendo exigente consigo e com os outros. A educação financeira para quem possui esse perfil precisa ser desafiadora. Nesse sentido, é importante promover competição e incentivar a superação de limites, a fim de garantir bons resultados.

E, por último, contudo não menos importante, o dinheiro pode significar uma fonte de relacionamento, ou seja, pode ser utilizado pelas pessoas para fortalecer seu relacionamento com amigos, família e colegas. Tratam-se de, então, pessoas compreensivas, amigáveis, que gostam de ser reconhecidas. Geralmente presenteiam muito. Nesse caso, a educação financeira deve focar na necessidade de poupar o dinheiro e desenvolver a autoconfiança do indivíduo (a fim de evitar o presentear constante).

A complexa relação com o dinheiro, além de ser influenciada pelos aspectos subjetivos citados, engloba estratégias objetivas e práticas:

• como e por que poupar;

• a importância de um planejamento para curto, médio e longo prazo;

• os primeiros passos para iniciar a independência financeira;

• noções básicas de economia.

Esses temas podem ser desenvolvidos tanto em casa quanto em sala de aula por meio da constante reflexão sobre o uso dos recursos financeiros. Tornar um hábito a análise das motivações diante das escolhas e suas consequências, um hábito, é um grande feito, uma vez que, crianças e adolescentes e, até mesmo, adultos são altamente influenciáveis pelos grupos de convivência, mídia e moda. É evidente que a adoção de um programa formal, um roteiro estabelecido para trabalhar a educação financeira como um tema transversal são necessários para aprimorar o ensino. Mas, para iniciar a sensibilização sobre o assunto, basta promover espaço para que os jovens respondam, pesquisem e avaliem sobre:

1. Qual é a importância do dinheiro?

2. Qual é o papel do dinheiro no desenvolvimento da sociedade?

3. O que representa o dinheiro na minha vida?

4. Por que é importante poupar?

5. O que é investir e quais são seus benefícios?

Concluímos que, muito além de fornecer respostas tais como “poupar é uma escolha intertemporal”, “abre-se mão do usufruir hoje em favor do amanhã” ou “investir é fazer o dinheiro poupado crescer”, o espaço oportunizado nas escolas e nos lares através das perguntas serão a garantia de que os jovens poderão avaliar os motivos e, principalmente, as consequências de suas decisões.

Em outras palavras, a contribuição da educação financeira não está restrita às técnicas para administrar bem o dinheiro, pois ultrapassa esse campo e aporta na essência daquilo que direciona a vida de um sujeito. Afinal, somos o resultado de nossas escolhas.

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